Chamados por Deus para apascentar o rebanho, os líderes ministeriais também precisam ser cuidados. Precisam do apoio da família, da igreja, dos amigos, das próprias ovelhas e até de outros pastores.
Pelo menos, assim deveria ser.
Muitas vezes vistos como “super-heróis da fé”, quase intocáveis, esquecemos que pastores também são humanos.
E sim — também são ovelhas.
Estão sob o cajado e os cuidados do Senhor.
Têm fragilidades.
Enfrentam medos.
Vivem conflitos internos.
Passam por dificuldades financeiras.
Sentem cansaço físico, emocional e espiritual.
Pastor também é ovelha quando enfrenta conflitos interiores e não encontra um grupo seguro para pedir ajuda.
É ovelha quando atravessa crises financeiras e se cala por medo de julgamento.
É ovelha quando está emocionalmente fragilizado por problemas na igreja e, em vez de acolhimento, recebe cobranças.
É ovelha quando se sente sozinho diante de um novo desafio ministerial.
O mais triste é quando um pastor ou pastora não pode demonstrar fragilidade por medo de perder o respeito ou até o cargo, como se a liderança exigisse uma força sobre-humana.
Como se quem estivesse atrás do púlpito não tivesse sentimentos, dores ou limitações.
Mas o homem e a mulher que estão ali também são ovelhas do rebanho de Jesus.
Ovelhas que, muitas vezes, cuidam de todos… mas não têm quem cuide delas.
O pastor corre riscos como qualquer outra ovelha — e, em muitos casos, até mais.
Ele carrega sobre si a sobrecarga do ministério.
Vive a pressão de se mostrar sempre forte.
Muitas vezes se sacrifica tanto pela igreja que deixa de proteger a própria saúde emocional, espiritual e familiar.
Não é errado que um pastor cuide primeiro de si e depois do rebanho.
Isso é princípio bíblico.
Em Atos dos Apóstolos 20:28 lemos:
“Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo os colocou como bispos, para pastorearem a Igreja de Deus, que Ele comprou com o Seu próprio sangue.”
Perceba a ordem:
Cuidem de vocês mesmos — e depois do rebanho.
Da mesma forma, em Primeira Epístola a Timóteo 4:16 está escrito:
“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina.”
É um mandamento sequencial. Quem não cuida da própria alma enfraquece no cuidado com os outros.
Mais apoio, menos cobrança
O apoio da família, dos amigos e de outros pastores é fundamental.
Mas o que temos visto, infelizmente, é o contrário:
líderes competindo em vez de cooperar, invejando em vez de incentivar.
Famílias que, em vez de abraçar e apoiar, criticam.
Amigos que se aproximam apenas quando precisam e, depois de abençoados, seguem para outro lugar.
Pessoas que, após receberem ajuda em momentos de tribulação, abandonam a mão que foi instrumento de Deus em suas vidas.
Quanta ingratidão.
E muitos se perguntam: “Será que Deus não está vendo?”
Ele está, sim.
Nos dias atuais, está cada vez mais desafiador ser pastor.
Muitas vezes, as angústias e os medos só podem ser compartilhados com Deus.
O que muita gente não percebe é que o cansaço mental e emocional no ministério pastoral é real — e frequente.
O ministério exige intensidade constante: aconselhamentos, conflitos, expectativas, decisões, pressões espirituais e emocionais.
E uma das dores mais profundas no coração pastoral é a ingratidão.
Quanto mais amarmos, respeitarmos, reconhecermos e apoiarmos nossos pastores e pastoras, mais saudáveis, equilibrados e felizes eles serão.
E quanto mais fortalecidos estiverem os líderes, mais forte estará o rebanho.
Cuidar do pastor também é cuidar da Igreja.
Honrar quem cuida de você é princípio de maturidade espiritual.
Porque, no fim, pastor também é ovelha.
E toda ovelha precisa de cuidado.
Eliane F. C. Ramos



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